O que soprou do leste

A madrugada pode ser fria, o tempo pode ser curto e a separação pode ser mais rápida que os raios solares que te fazem acordar todos os dias de manhã, mas tudo não é em vão quando tentamos alcançar os nossos sonhos.

Vivemos um dia de cada vez, cada momento pode ser o último dia juntos e tudo corre tão rápido que quase não conseguimos ouvir.

O que ouvimos são apenas sons de invernos que nunca vem, verões que foram embora e outonos que foram mas logo voltarão.

O inverno veio, como uma luz, um último resquício do que sobrou da queda e a  queda foi apenas um passo. Pra frente, pra trás não importa. O que importa é que a partir de agora tudo será diferente.

Navio sem Cais

Há quem diga que não há beleza nas terras de cá. Às vezes você se vê realmente sem luz, sem vento e sem chão. Mas tudo é tão belo, tão simples e tão encantador que te da vontade de reviver aqueles fatos novamente.

Você se pega relembrando aquele céu estrelado, regido por inúmeras estrelas e lembra com carinho tudo o que foi feito.

Aí você entende porque o rosa de cada fim de tarde te encanta. Nunca pensei que depois de tanto frio fosse encontrar um pouco de calor naquele belo amanhecer.

Depois as rosas e bem te vis encantaram a mim e a uma amiga, Lisbela. Naquele momento uma imensidão de verde, flores, flores e mais flores. Das mais variadas cores e tipos. Por último os anéis de Saturno. Estes estão tão longe, mas ao mesmo tempo tão perto que quase não consigo imaginar que eles existam.

Talvez agora seja a hora de enfim navegar, sentir a brisa, a água molhando a folha e o sol indo embora mais em mais um fim de tarde. Agora sim, deixe me navegar, pois dos meus pés eu cuido, pés que pisam meu iluminado cais e que me permitem visitar o meu amado Brasil.

Rafael Medeiros

 

 

 

Gelo em chamas

Quando o alerta azul aparece mais uma vez diante aos meus olhos, o ruído indica-me quem é. Olho atentamente e me pergunto se é a neve, interagindo-se na em sua forma mais suave e bela ou é apenas o sol, me chamando mais uma vez para ir embora. Talvez deva esperar mais um pouco. O frio me faz bez também. É como se ele me congelasse… como se parasse o tempo para mim.

Rafael Medeiros

Lua completa

Naquela noite mais fria do outono mais quente, depois da quarta fase, que um dia hei de chegar na quinta fase, mas não tão cedo.

Naquela noite o céu e as estrelas me permitiram olhar para os meus pés da forma mais limpa possível.

O passado me ajudou a chegar no presente, mas o futuro só a lua poderá dizer.

Ela é dona das marés e maremotos. O momento do amanhã é o futuro de ontem, onde tudo foi bizarro.

Todos fugiram, não quiseram ver o novo começo, apenas o amanhecer depois do dia sagrado pelos deuses.

Sair

Com um bilhete carimbado, trevos e amor nas mãos, começava ali um novo início. Era difícil escrever. As mãos tremiam devido ao frio da cidade e pela emoção de lembrar os momentos do último fim. Mesmo assim, se atreveu a tirar o casaco, queria sentir os seus pelos enrijecerem e o calor indo embora. A tinta saiu ferozmente da caneta e a separação tinha sido enfim assinada.

A viagem tinha durado pouco tempo. Os ônibus que saiam da sua cidade corriam rápido e não demorou muito para chegar ao seu destino. Ao chegar lá dias e noites se passaram à espera de um sinal que não veio.Tinham lhe dado a certeza que o dia iria brilhar, que aquele tempo abriria e tudo seria como antes, entretanto, isso jamais aconteceria da mesma forma como tinha sido prometido. Era como se o sol se fechasse e ninguém mais pudesse voar como nos sonhos.

Se aprender a escrever sobre o amor é difícil, entender o fim dele é tão complicado quanto. Pensando de uma forma bem clichê, é como separar duas metades de uma chave, ficando assim cada parte sem nenhuma utilidade. Os passos ficavam pesados devido à chuva e o caminho foi marcado pela insegurança e medo. A felicidade foi realmente de passagem e ao decorrer dos dias tinha cada vez menos vontade de ficar naquele lugar.

Quando enfim foi embora, finalmente estava em contato com a natureza. Abelhas cheiravam as flores da roupa mas não atacavam e mesmo com a chuva os seus cabelos continuavam a brilhar. O tempo, que já não lhe interessava, passava lentamente, os pensamentos passavam como slides de uma apresentação e somente a certeza de que enfim tinha feito a escolha certa. Afinal, se tudo foi sentido de forma racional, todo o resto correu junto com o rio.

 

O corte no círculo

Palavras flutuam na nossa mente. Um emaranhado de sonhos e ideias que não conseguimos captar direito e passamos para o pálido papel antes mesmo de pensar o porquê de fazermos isso. Meio que sem querer, a boca seca larga um ‘sim’ e ciclo começa mais uma vez.

O grafite rasga o véu do silêncio – talvez o único expectador que você tem – e marca o início das turbulências. Nada é mais prazeroso do que sentir o som do movimento das mãos riscando o céu das nossas imaginações. Um sopro voava de longe, vindo marcar os tons e os lugares que pensávamos ser ideais. O nosso cérebro inventa um novo ritmo e cria imagens mais perfeitamente que nossos olhos. Memórias se confundem com os toques e nos deixam arrepiados, como se tivéssemos sido expostos a uma corrente elétrica. O mundo gira mas nada sai do lugar. Tudo funciona numa perfeita sinfonia.

O céu escurece e a tão aguardada chuva realmente vem. Pingando de pouco em pouco, criando poças de pensamentos molhados; mergulhados num murmúrio sem fim, que tentava prevenir as pessoas de males causados pela tempestade e tirar as crianças da rua.

Quando enfim se chega em casa, tira-se o sapato dos pés para sentir o chão gelado e ouvir os passos seguintes da noite de núpcias. Os olhos se abrem, tamanho a ansiedade do momento e a boca cria falsos sussurros de prazer, dizendo que enfim o texto acabou.

Assim como o amor.

Dizer

Dói sentir o vácuo criado pela despedida. Por todo esse tempo eu fugi do teu abraço de adeus e das tuas leves despedidas. Não sabia que isso doeria mais. Não há mais caminho, nem chão. Tanto forjei em nossos pés asas pra voar que agora não há mais volta.

Um gole do amargo faz com que tudo na minha cabeça balance; a luz se desfaz em cores, o sol em átomos e o céu em chuva

A mordida doce faz meu coração parar e rever aquela história de anos atrás. O andar que não existe no prédio, o som que não foi escutado e a onda que banha o chão e desfaz os votos de ano novo que escrevemos na areia. Tudo isso é o que é , o que foi e o que será guardado em lembranças.

Tudo é… tudo é muito. Mas o seu falar sempre foi o necessário, mesmo tímido e com medo e o meu sempre finalista, mesmo confuso. Talvez por isso ninguém soube explicar ou entender.

A pergunta final que fica é como um alarde na consciência:

Will you still remember?